segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Contra Grimms

Os contos de fadas não são tão irreais assim.
Um dia sonhamos com o amor perfeito
E ele, então, acontece.
E daí vivemos felizes para sempre.

Não apenas mais um sapato perdido,
Nem uma carruagem.
Talvez não seja necessário uma maçã enfeitiçada
Para que com um beijo se possa acordar.

Às vezes não é preciso uma fada madrinha.
A mágica já foi realizada.
Do que adianta além desse sentimento
Para fazer com que tudo o que é sentido possa ser vivenciado?

O cavalo branco está pronto.
Há uma terra muito muito longe para se descobrir.
E tudo vale a pena
Desde que saibas o que se vê no espelho.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mix de Sabores

É tão impressionante como é a vida:
Nunca saberemos nosso futuro,
Mas mesmo assim fazemos planos
E sonhamos com um novo amanhacer.

Talvez esse tipo de sonho
Seja o nosso combustível diário.
Alimento-me hoje.
Digestão para amanhã.

A vida nova recomeça
Tudo realmente é novo.
Os passos ainda não tem muita direção.
Mas tudo vem com um novo sabor.

Logo mais novo ciclo,
Novo ritmo... Novo.
Não sei se importa o que sinto.
Mas simplesmente é incrível.

Prato do dia?
Maçã com escarola.
Já comeu?
Nem eu.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O Um.

Era setembro quando te vi pela primeira vez.
Esse mês sempre foi tão especial pra mim,
Que nem ao menos imaginei
Que poderia ser você.

Depois de dois meses ouvi tua fala.
Pude notar, então, teu sorriso de perto.
Mas ainda era pouco.
Eu queria muito mais.

Foram apenas 3 dias
E os nossos braços causaram o melhor dos abraços.
O teu perfume ficava em minha camisa.
O teu gosto já não saía da minha boca.

O tempo se passou...
Entre idas e vindas conquistamos espaço.
Não um simples lugar,
Mas aquele do lado esquerdo.

Jantares, viagens, bebedeiras...
Brigas, discussões, ciúmes...
Abraços, beijos e tesão.
Presentes, planos e canções.

É complicado explicar o que nos une.
Sempre fui a favor de que os iguais se igualam,
Mas depois que teu amor me envolveu,
Sei que nossas diferenças nos completam.

Há anos esperei você.
Por anos sonhei com você.
Durante anos planejei você.
E hoje, um ano depois, eu tenho você.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sábado, 9 de outubro de 2010

Pés (novamente) Cansados

E eu estou aqui sentado...
É estranho quando você procura um chão,
mas apenas consegue ver algo:
aquilo que não queria.

Ele parece ser grande,
mas ao mesmo tempo mínimo.
Talvez não tão fundo,
embora pareça tão escuro que não vejo seu fim.

Agora eu entrei nisso.
E isso me aperta até doer as costelas.
Queria na verdade que essa fosse a única dor,
porque a que realmente sinto é bem maior.

Dentro dele mal sabe-se por onde olhar.
Não sabe se deve caminhar,
ou se apenas deve sentar-se.
Talvez eu ainda queira pular.

Mas depois que se entra
a única volta é por um sentimento muito difícil.
Não sei se posso olhar pra luz novamente.
O que sei é que tudo continua escuro.

'Tira-me daqui!'
Será que é o que quero gritar?
Será que é o que meu coração está pedindo?
Ou será apenas mais um forma de voltar pra isso um dia?



Finalizo.
Murilo de Carvalho

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Autobiografia que nem se escreveu

Nascia eu,
gordo, branco e com muito cabelo.
Assim dizia mamãe
com olhos brilhantes e de largo sorriso.

Bebê mais lindo que aquele hospital já vira.
Mas não é que até a velha coruja
acha seus filhotes tão lindos e em nada são.
No entanto, dizia que era.

Um mês de peito e já não queria mais...
O leite era fraco.
Partiu para mamadeiras e, logo,
sem nem mesmo engatinhar, já viriam os primeiros passos.

O macho e a fêmea disputavam pela primeira fala,
mas ela saiu nítida como nem se parecesse primeira
e para aquela que sempre esbanjou carinho.
Falei 'bobó' e a avó se derreteu em prantos.

De lá não parei mais.
Colégios, faculdades e ainda não saí da última.
Mas acho que é só questão de tempo.
Parece já estar traçado.

Seguir os passos da mãe e se dedicar ao ensino?
Talvez isso realmente seja algo que me realize.
Mas desde que um fato inusitado (e catastrófico) aconteceu,
Os sonhos foram trocados pela esperança.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

domingo, 26 de setembro de 2010

Aquele céu brilhante...

Não era um simples mês,
Era um mês de tristezas.
E elas eram tão grandes
Que nem ao menos me recordo qual o mês.

Doia tanto ouvir uma música
E assim me lembrar do teu rosto.
Lembrar do cheiro, do sabor...
O coração estava destruído.

As lágrimas vinham como chuva.
Aquele sentimento me rasgava como um trovão.
E a distância entre nós aumentava a cada dia
Como se um vendaval nos afastasse.

Às vezes queria que o tempo voltasse
E eu pudesse sentir aquela dor novamente.
Não porque me fazia bem,
Mas porque me mostrava quanto amor eu alimentava.

Não adianta apenas estender as mãos.
Nem ao menos dizer que está ao meu lado.
Preciso de luz que faça flutuar
De um novo Sol ao amanhecer.

Faça-me novo. Reivente-me.
Se ainda preferir me mate todos os dias.
Peço isso não para que me esqueça,
Mas para que tenha a certeza do quanto te faria falta.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Caro Setembro

Lembro-me de ti
Suave e harmonioso.
Um mês de surpresas
E principalmente de comemorações.

Éramos nós:
Novos, inocentes e esperançosos.
Comemorando aniversários e mais aniversários.
E quem disse que isso bastava?

Gostei daquele sonho
Sonhado todos os dias
E jamais concretizado
Por uma força muito maior.

Mas é muito mais bonito lembrar assim:
Das nuvens as quais nós flutuávamos.
Ou talvez, quem sabe,
Éramos nós quem fazia tudo flutuar.

Saudades de um mês que prolongou-se...
Mas saudades ainda mais de você que nunca chegou.
Sinto o beijo que nunca aconteceu.
Sinto o abraço que nunca me apertou.

Mas sonho a cada novo Setembro
Que você chegará.
E ainda que me despertará
Para novos e conquistadores sonhos.



Finalizo.
Murilo de Carvalho