sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Quiçá eu esteja esperando.




“Eu fiz isso por motivos de...”. “Se eu tivesse tempo...”. “Amanhã eu começo...”. Até quando você vai continuar se enganando com desculpas que só fazem o seu tempo passar e você envelhecer?

Não estou falando isso para que você se sinta tocado, é que eu apenas me canso de não ver respostas imediatas que mostrem crescimento e maturidade nesse mundo ideal que você diz viver.

Eu já virei para o meu espelho algumas vezes e falei isso. Meus amigos e as pessoas que vivem ao meu redor, por algum motivo em algum momento da minha vida, certamente já escutaram tais desculpas saindo de mim.

Para sair de casa, para recomeçar a academia, para comer a quantidade certa, para comer menos chocolate. Mas eu sou do tipo que se eu decidir valeu a pena esperar e vai durar uma eternidade.

Eu só não suporto você me ligar e dizer que “queria”, “gostaria” ou “saberia”. Chega de condições! Eu só quero ver você agir e me mostrar que eu posso confiar pra apertar esse “play” que está começando a enferrujar.

Amanhã eu não vou esperar você me ligar. Amanhã eu quero que você apareça. Mas, por favor, não diga nada. Apareça e me mostre porque eu devo deixar você ficar. Depois, talvez, a gente pode ter essa conversa.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Apenas porque você não permitiu.



Talvez eu nunca tenha pensado em escrever sobre você. Talvez o grande motivo seja porque você não aconteceu. Pensando bem quase aconteceu. Eu fico relembrando todas as vezes que nós podíamos ter acontecido em quase cem por cento, ou pelo menos naquela quantidade que eu acreditaria ser suficiente.

Mas realmente nunca ter escrito sobre você me causou um vazio nessa manhã, que mistura chuva e um sol bem amarelado de uma primavera inconstante. Uma inconstância que combina perfeitamente com os meus sentimentos por você quando lembro que o “nós” não aconteceu e, certamente, jamais vai acontecer.

Você partiu depois de não chamar mais por mim e ir em busca de quem nem tinha mais a ver com a sua essência. Mas para mim não bastava um pedacinho, eu queria a melhor parte e eu não tive como impedir. Você foi. Eu fiquei. Simples assim. E ninguém mais soube explicar o porquê apenas foi desaparecendo.

Eu chorei um dia inteiro. Sim, eu acordei e me banhei do meu próprio choro e só parei quando o dia realmente anoiteceu. As lágrimas não eram pela perda da melhor cama, das divertidas risadas e das comilanças descontroladas que você me impunha e eu aprendi a me deliciar. Era a perda de quem eu ainda nem ao menos tinha conquistado.

Você foi. Eu fiquei. E até hoje você não faz ideia do quanto doeu – acho que nunca vai ter essa noção. E nos encontramos só mais uma vez, e eu nem pude te abraçar. Eu nem pude olhar você direito. Eu tive medo dos seus olhos verem os meus. Eu tive orgulho em demonstrar que eu nunca fiquei bem quando você decidiu não voltar mais.

Eu escrevo hoje para que eu saiba que você realmente não aconteceu. E eu também não aconteci para você. Eu teria amado e teria ensinado a você com muita calma a sentir o mesmo, mas não calhou. Eu guardo ainda aquela “parte de mim” que presenciamos juntos e talvez seja essa a minha última lembrança de você.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sábado, 9 de março de 2013

Não Se Fazem Narizes Vermelhos Como Antes


E essa necessidade que as pessoas têm em chegar à conclusão de quem é o mocinho e quem é o vilão? Bom, pelo menos eu não fiquei com a última caracterização. Talvez até tenha ganhado uma caracterização de ausência de sanidade, visto que há sempre outra necessidade daqueles que estão em desvantagem procurar pela culpa alheia.

Mas basta. Agora, enfim, não há mais necessidade alguma em se fazerem culpados e o cerco se fechou pelo podre e nojento circulo da vaidade. Vaidade esta que é vista em textos despretensiosos, imagens que falam as verdades da falta de caráter e vozes que dizem mais do realmente vão alcançar.

Chega a ser engraçado pelo circo que foi armado. E não me vejo no centro de tal picadeiro, pois eu... Eu simplesmente assisti toda a essa encenação com receios, mas ainda assim tive coragem. E o palhaço tomou conta de um espaço que mal se fazia dele, pois nada era assim tão direcionado. O tal cara do nariz vermelho alimentava ali o seu ego através do humor de má qualidade.

Sinto que ao me levantar da arquibancada, toda a plateia se fez não acreditada por algo que não se esperava. Não vejo ali um “grand finale”, vejo papeis caindo de um alto que não tem relevância, e fez você perder o intenso significado da razão que nunca deixou participar de uma emoção necessária.

O espetáculo chegou ao fim. Não há cortinas a serem fechadas, pois tudo se escancarou frente a esses olhos que sempre viram minhas mãos aplaudindo seus feitos. Entenda: os seus bons feitos. Não deixo nada se comparar a tal inconsequência em deixar um fã ir embora. Cessaram as vendas de tickets, pois dessa vez o show não vai continuar.

Dizem que o sucesso de um número é feito pela soma de uma boa atuação e a verdade que se traz nos olhos. E acredito que dessa forma o fracasso da atração se faz compreensível. Encenação barata, fraca e sem emoção é o que se viu. Respeitável público, o melhor é ver que ali não se teve o que se procurava e admitir que a sorte não fora bem-vinda.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Primus

Talvez o meu amor não tenha sido à primeira vista.
Mas eu lembro que ele foi ao primeiro abraço.
Foi também um amor ao primeiro toque 
E foi ainda mais certo com o primeiro beijo.

Não tive mais dúvidas ao primeiro cheiro,
Nem tampouco com o primeiro riso e choro.
Lembro-me ainda que a primeira saudade provou.
E a prova era de que aquele era realmente o primeiro.



Finalizo.
Murilo de Carvalho


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Aquele Em Que Tudo Parece Novo


O dia em que tudo começa com a sensação de “o que faz sentido?”.
Não falo de virar páginas ou de novas páginas.
Falo de novos livros, com contos, crônicas e sábios pensamentos, que a cada releitura fazem do velho ter aparência nova.

Basta descobrir o que de velho em você ainda faz parecer novo. 
Surpreenda-se: esse, muitas vezes, é o melhor que você pode oferecer de você.
Como? Já pensou em provar novos sorrisos e, ainda assim, saborear velhas lágrimas?




Finalizo.
Murilo de Carvalho

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Construindo Títulos


Acabou inspiração? Onde enfiei todas essas palavras que saiam tão facilmente?
Enterrei? Joguei-as no lixo? Lancei no vento! Eu nem quero pensar onde foi tudo parar.
Palavras ao vento são como folhas secas, que se debandam sem força, sem vontade, sem direção e, o pior, sem volta.
É, acho que estou entendendo muito bem tal significado.
Conversar com as pessoas que sentem dor, de uma forma muito estranha, me inspira. Acho que olho sofrimentos hoje como apenas grandes degraus. Piso firme e sem medo de cair, porque sei que sempre vou rolar escada abaixo.
Poço seco? Não sei se deixei secar ou se o que eu realmente quis foi fazer tudo se tornar um grande motivo de celebração. Parece que não há mais espaço para lágrimas e mágoas. Um olhar que saiu das nuvens carregadas de escuro e se fez brilhar.
Cansei de viver as metáforas e selos que fingem dar um sentido desejado. Parei de me importar com aquele comentário maldoso sobre quem mal me conhece ou aquele olhar que me repreende.
Talvez seja por esse motivo que me sinto tão pronto para me aventurar. Mas o que preciso entender é que nem todos estão preparados para voos altos. E apesar da altitude, os pés sempre tocam o solo rochoso.
Viver sem segredos, vida transparente e sem receios.
Tudo cessou. A alma apenas quer sorrir.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Rabiscos do Tempo


Em prol dos velhos tempos, tudo tem se tornado apenas uma nova página. Mas nem falo de um novo livro, apenas de anotações. Essas são descritivas, minuciosas e preciosas em cada verso.
Medos e receios se foram juntamente com toda a preocupação e pressão de uma busca perfeita e incansável. Era um saco, perdoem-me pela expressão, mas só eu não percebia o quanto me aborrecia por esse estado volúvel.
E daí que o meu momento pode ser feito com leves sorrisos em um espelho quebrado? Qual a versão mais moderna que eu poderia sugerir a mim mesmo? Aliás, essa é a nova tendência.
Instabilidade, sinceramente nem ao menos me lembro de como era viver você. Gosto dessa rotina repleta de intensidade que me preenche e me ocupa. E tenho sobrevivido com um ar de ternura ao repousar.
Entretanto, a manhã chuvosa é algo que me desperta mais repleto de vontade, de ambição. Do que? Não tenho ideia alguma sobre, mas sei o quanto isso me faz bem. E mereço, depois de todo aquele percurso pelo deserto.
Sem flores, sem jardins, sem aqueles gramados e montanhas verdejantes, por enquanto. Deixe os caminhos se formarem, só quero trilhar e fazer parte daquilo que ainda nem sei o que é. Deixar florescer? Quem sabe?


Finalizo.
Murilo de Carvalho