quarta-feira, 16 de maio de 2012

Quarteto de Regras

Uma pequena expressão.
Uma atitude desorientada.
Um rumo sem guia.
Uma nova carta.


Sigo a esperança de falar.
Não apenas o abrir de boca.
Mas o silêncio dos meus lábios
Reflete o grito do meu olhar.

Pego caminhos antes não percorridos.
Sigo rotas que eu desconhecia.
Entretanto, encontro luz.
Apesar das sombras fantasmagóricas.


Há um mapa que indica a trilha certa.
Todavia, nunca teremos a certeza de encontrá-lo.
Procuro por vias que me levam a sorrisos,

Mesmo que durante o percurso lágrimas aconteçam.


Escrevo roteiros e busco sintonia.
As palavras já não me são mais vagas.
Procuro por sentimentos em músicas,

Mas encontro vagas memórias inusitadas.


Grande dia será este!
Vivo o imenso prazer de não ter rotina.
Canto flores: rosas, orquídeas e tulipas.
E no alto daquela árvore sobrevivo a novos ninhos.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 27 de abril de 2012

História que escreve história

A época era estranha, mas adorável.  
Reino Unido, século XIX.
Via-me em prosperidade,
Também em uma paz que excedia o entendimento.


Mas, então, fui levado à Camões.
Retrocesso? 
De forma alguma.
Apenas uma nova e misteriosa cultura.


Entre o lírico, o épico e o teatral,
Descubro novas formas de escrever.
São peças cômicas,
São aventuras por um mar profundo.


Felinos celebram novos afagos
Em meio a carícias e gracejos.
Talvez um brinde.
Talvez cevada.


Rodas de aliados.
Uniões que podem satisfazer prazeres.
Controláveis ou incontroláveis,
Apenas bons prazeres.


Apostamos as fichas, 
Pois todas as cartas foram coladas na mesa.
Valores, figuras, histórias...
Tudo está às claras.


Mas não se preocupe, 
Não se trata de um jogo.
É mais além:
Tratado firmado.


Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Minhas veredas. Minhas certezas.

Certa vez eu joguei uma chupeta pelo telhado e lá ela ficou para sempre; ou talvez uma chuva, ou até mesmo um vento, derrubou-a de lá. Mas isso foi só por que eu quis. Mamãe sempre dizia que quando faço é uma motivação da certeza.
É, sou indeciso. Muitos até me acham sem opinião, que sou de deixar outros resolverem. Mas sabe que eu não ligo? Importa-me mais saber que só ajo se eu realmente acredito naquilo, naquela atitude. Assim me deixa mais tranquilo.
Eu pego caminhos e vou tentando construir pontes, mas isso nem sempre me leva para o destino certo. Eu junto um, dois, nove motivos, mas às vezes eles não são tão válidos. Não para mim, mas isso também se refere a quem eu encontro perdido por esses lugares. Lugares que eu descubro que são apenas meus, ou que finjo serem.
Do que adianta acertar? Qual o motivo de ver os próprios erros? Crescimento, acredito eu. Nem sempre compreendido pelas certezas, ou ainda pelas incertezas, continuo não me importando com o que vão pensar, apenas relevo o “me observar”. Enumero, pondero e chego a uma equação. Confuso, não?
Talvez eu queira um tempo que me faça mais certo. Talvez eu mal queira um tempo, apenas uma certa liberdade. Sigo. Autoconfiante e voraz. Sem máculas, sem máscaras, sem mágoas.  Estou aqui, pegando novamente um ou mais caminhos, mas certo disso.
As lembranças vêm dentro da mochila. Pesada, sabe? Mas vou carregar essa experiência e levá-la em prol da minha boa consciência. Em cada novo hotel, um travesseiro me aguardará e eu colocarei ali, tranquilo, minha cabeça. Repouso sereno e revitalizante, celebrando mais uma jornada conquistada.
Bom, hora de sonhar. Novos sonhos? Infelizmente não dá pra saber. Ou será que felizmente? É, felizmente. Chato seria saber qual o sonho dessa noite. Irritante saber que ao acordar surpresa alguma a mim seria revelada. Entretanto, curioso não posso deixar de ser. Daqui a pouco acordo de novo. Ansiedade reina.





Finalizo.
Murilo de Carvalho

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Tom da Amizade

Da África tua raiz.
Dos solos tupiniquins teu canto.
Da beleza de Ébano teu reflexo.
Da mocidade inteligente o teu encanto.

"Quanta falta de sensibilidade!"
Frieza aparenta aos olhos suspeitos.
Mas apenas aos que podem tocar-te
Conhecem teus verdadeiros conceitos.

Doçura em forma de mulher.
Esperteza no jeito da tua eterna criança.
Morena brejeira espreitando metrópoles,
Astutos olhos de esperança.

Traz em teu corpo ginga de amor.
Tua fala me enfeitiçou.
Esse jeito sagaz de companheira...
Foi assim que me conquistou.

Embora logo uma distância,
Um amor jamais é esquecido.
Tenho em você um anjo amigo,
Para sempre nossas canções em sustenido.



Finalizo
Murilo de Carvalho

Ameninadomimoso

Sono de bebê:
Sono pesado.
Sono intenso.

Sonho como bebê:
Sonho leve.
Sonho colorido.

Enfrentamos diariamente o "adultismo".
Dias repletos de responsabilidade.
Mas essa é a rotina humanitária.

Encare o amadurecimento.
Desbrave o dia a dia.
Pois o crescimento é o reflexo da intensidade divina.



Finalizo
Murilo de Carvalho

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Além das Núvens

Ontem quando pensei em sonhar
Um novo sonho já acontecia.
Pensava em renovar histórias,
mas uma nova já estava sendo escrita.

Vivo uma sensação que jamais provei antes:
Um preencher de alma tão intenso.
Sinto que mais que sorrisos,
a alegria é algo permanente.

Cansei de sofrer por devaneios.
Cansei de existir por esperar o impossível.
Hoje renasço a cada manhã
com a vontade de flutuar pelo perfeito.

Inimaginável, pensaria eu em um passado próximo.
Irreparável, encontraria anteriormente minhas forças.
Irreconhecível, aqueles medos que não amendrontam mais.
Incomparável, esse sorriso com qualquer outra coisa que desejo ver.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Levado ao Sul

Tenho sonhado tanto...
E como dizem:
'Aproveita e faça bastante isso,
Já que sonhar é tão gratuito.'

Uma nobre primeira dama diria:
'Sonhe alto.'
Mas como medir?
Como mensurar o tamanho das asas?

Planar é tão bom que
Ao invés de pensar em desordenar-se
O mais confiável, certamente,
É deixar o vento passar.

A brisa que avança o rosto,
Atinge tão bem as costas e
Desliza-se pelos pés,
Traz vigor.

E aterrizar é só um começo.
Hora de pensar em tomar impulso.
Momento da decisão mais sábia:
De como subir novamente.



Finalizo.
Murilo de Carvalho