terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Vedação.

Há uma diferença entre não saber quem você é e se aceitar, mesmo sabendo quem realmente é. 
No entanto, nos dois casos, há um grande erro: a fuga.



Sejam putas. Sejam santos. Sejam um pouco de cada. Não importa.
Sejam engraçados, hilários. Sejam carrancudos e sem humor algum.
Imitem quem vocês acham interessante. Evitem quem vocês repudiam.
Mas, por favor, encarem.
Não forcem ou tentem convencer pelo drama.
Parem de pedir por uma segunda chance. A primeira já foi dada e se foi mal usada é uma consequência que você vai passar sozinho; ninguém é obrigado a escutar lamentação alheia.
Convençam a si mesmo e parem com a tentativa de fazer pessoas comprarem alguém que você não tem estrutura para ser.
E por último, mas não menos importante: não me encham o saco.




Finalizo.
Murilo de Carvalho

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

(Forçada)Mente Enfrentando a Realidade

Faz alguns dias que tento escrever sobre isso, mas eu não encontro tempo e nem as palavras certas. Mas eu nem quero que saia tudo certinho, eu só quero que saia. Eu recebi notícias e descobri que foi o melhor que poderia ter me acontecido. E depois eu fui escutar a música que mais me fazia lembrar de você. Coloquei meus fones, sentei no chão e encostei na cama. Deixei aquele vento tomar conta do meu rosto e todas aquelas palavras entrarem. Eu precisava entender o que se passava e a sensação não poderia ser diferente.

Não é um bom momento pra você, talvez nem seja pra mim também, mas eu sei que estou melhor, que meus passos têm acontecido um pouco mais largos que os seus. Mas eu gostaria que você soubesse que mesmo assim eu não fiquei feliz. Eu sei que querer quebrar correntes seja uma das opções, entretanto, quem disse que hoje é dia de indulto?

Mas quero dizer que tudo agora faz sentido. Sair e sentar em uma mesa feita pra dois nem é mais um grande problema, eu já aceito mais tranquilamente que antes. Acredito que esse processo de aceitação aconteceu ainda melhor quando eu deixei de querer que você fosse a companhia naquele jantar japonês ou para aquele café de um sábado em uma manhã qualquer. Eu prefiro que alguém venha perguntar se aquele outro assento está liberado e possa levar a cadeira.

Acho que consciente, ou até inconsciente, eu já busquei o seu rosto nos meus sonhos, mas nenhuma vez foi agradável. Hoje eu já não tenho mais essa preocupação, será apenas mais uma face em meio àquele preto e branco que meus pensamentos sonolentos costumam acontecer. Eu nem estou perto daquilo que gostaria de chegar, mas eu sei que a cada dia a distância que adquiro do que vivi é o melhor que tem me acontecido. E aí sim eu sorrio com força.

Eu escrevo e nem quero que você leia, porque ainda guardo coisas boas como algumas viagens despretensiosas e o quanto a noite era tão mais feliz quando a gente estava juntos, mas eu descobri novas formas de fazer com a minha noite tenha ótimos sabores e me tragam, assim, prazeres verdadeiros. Falo sobre verdade porque você, eu e todo mundo sabemos que a mentira foi o maior parceiro nessa trilha cheia de buracos e precipícios. Mas já me desviei de todos e já me curei dos machucados causados por tantos tropeções massantes.

Eu apenas não me lembro de ter dito adeus quando fui embora. Eu recolhi todas as minhas malas e aquelas garrafas que eu colecionava. Joguei tudo atrás da camionete e dirigi, sem rumo, aquela noite toda. E tudo isso nem foi por remorso, rancor ou ódio, como você deve concluir. Fiz isso apenas porque essas pontes que eu construí me fazem encontrar caminhos muito melhores.





Finalizo.
Murilo de Carvalho

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Doces desejos abandonados de uma lembrança inacabada.

Oito anos. Caramba, como o tempo passa rápido! Ou nem tanto assim, porque eu lembro exatamente a cor da sua blusa naquela tarde fria que, enfim, nos encontramos. Um azul Royal que deixava toda a sua pele branca tão linda. Você ficava com aquele rosto todo vermelho de vergonha a cada palavra e com aquele sotaque que soava tão familiar. E eu lembro também que aquele dia foi tão rápido, mas podia ter durado a eternidade. Eu me lembro de tudo. Tudo mesmo.

Ah... Faz tanto tempo em que tivemos nossa última conversa que eu nem sei por onde você anda agora. A distância deixou de ser só física há alguns anos. Três, pelas minhas contas. E isso me faz pensar que os planos não eram esses; os nossos planos. Fizemos e construímos juntos, mas eu joguei tudo pela janela. Eu tive tanto medo... Um medo de perder o que eu já tinha conquistado, ou de ficar sem coisas que eu amava e que eu sei que me fariam falta. E eu simplesmente não dei bola para o quanto eu sentiria a falta de ter você. E isso dói toda a vez que eu escuto a Kelly Clarkson cantar. Não precisa ser exatamente “Beautiful Disaster”, mas as músicas dela me lembram do quanto eu perdi. De tudo o que eu deixei de viver com você.



Lembro, ainda hoje, dos nossos aniversários e das conversas longas pelo telefone, principalmente aquelas que a gente tinha que fazer escondidos. Eu não podia ser descoberto e você fazia tudo tão certo que eu me sentia seguro. Acho que esses eram os únicos momentos que eu não sentia medo, ou que pelo menos você me ajudava a disfarçar com superdoses de alegria. Você me deixava viciado naquele sentimento e tudo isso só me fazia bem.

Aquela falsa reabilitação; uma prisão. Eu não conseguiria sozinho e, mesmo tão longe, foi você quem me ajudou a superar dia após dia, sem perder as esperanças. Mas eu não achei mais justo com você, mesmo tendo você com tanta segurança e otimismo. Mesmo ouvindo quase todos os dias que aquilo tudo estava próximo de acabar e que estaríamos juntos logo. Você não tem ideia do quanto eu me sentia abraçado quando você me dizia “eu nunca vou desistir da nossa história”. E eu não consegui.

Eu desisti. Eu fugi. Eu corri o mais longe possível. Eu ignorei o meu primeiro amor. Eu deixei pra trás quem merecia o meu amor e a minha total gratidão. E você só teve notícias minhas depois de mais de um ano quando voltei de Londres. Você nem imaginava o que eu tinha passado ou se eu ainda estava vivo. Mas eu só tinha fugido de você. Eu nunca tive coragem de lhe dizer, mas ninguém me obrigou a ir, eu só não conseguia aceitar o meu erro de deixar você. Aquilo me corroía, porque eu sabia que a culpa era só minha.


Eu quase tive um ataque cardíaco quando vi você novamente. Mudo e estático. Mas eu sabia que a sua vida tinha tomado um rumo melhor e eu só atrapalharia naquele momento. Eu parti novamente, no entanto, consciente de que eu não era bom o bastante pra você. Eu poderia ter ficado, mas não duraria muito tempo. O melhor foi deixar suas forças renascerem com aquela boa impressão de que você nunca fez algo errado. Verdade nua e crua. Parece clichê, mas o problema realmente foi comigo. O erro fui eu.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A melhor decisão para o meu momento.


Eu fiquei muito tempo sem deixar que meus sentimentos saíssem. Mas nem foi por intenção que eles ficaram presos, porque eu nunca desejei um local secreto para eles morarem. Eles se travaram. Só isso.

Já levei tanta martelada que os calos do coração parecem nem doer mais. Entretanto, sei que vão doer ainda algumas vezes e, por isso, inconsciente ou não, eu decidi começar a andar em cascas de ovos.

Vou aos poucos, mas ainda não consegui ir. Passos curtos e pequenos. Às vezes só realinho os pés para mostrar a mim mesmo que eu me mexi e estou tentando fazer algo diferente. E realmente estou, mas com calma.

Bobagem? Enganar a mim mesmo? Para! Isso seria mais fácil. Hoje, porém, eu prefiro agir assim e me sentir bem desse jeitinho. Qual o problema em querer ter mais cautela? Eu quero ser balançado, mas não de um lado para o outro.

Canso-me só de pensar em novas oportunidades, porque tudo me parece vago o bastante para desistir no primeiro tropeção. Talvez se decidirem me chacoalhar, a melhor forma seja me jogando para o chão, um lugar que eu sempre procurei abrigo.

Mas isso aqui nem ao menos é uma dica. Não basta força nos braços ou agilidade mental. Quem sabe, por lidar melhor com, as palavras sejam onde minha fraqueza mora. (E novamente isso não é uma dica, ok?).

Talvez você que esteja lendo tenha toda essa perspicácia, mas eu nem sei se eu gostaria que você lesse isso. Eu só estou enchendo mais uma lauda com meus sentimentos e decidindo qual o sabor de sorvete eu vou tomar quando acabar.


É... Pistache.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Quiçá eu esteja esperando.




“Eu fiz isso por motivos de...”. “Se eu tivesse tempo...”. “Amanhã eu começo...”. Até quando você vai continuar se enganando com desculpas que só fazem o seu tempo passar e você envelhecer?

Não estou falando isso para que você se sinta tocado, é que eu apenas me canso de não ver respostas imediatas que mostrem crescimento e maturidade nesse mundo ideal que você diz viver.

Eu já virei para o meu espelho algumas vezes e falei isso. Meus amigos e as pessoas que vivem ao meu redor, por algum motivo em algum momento da minha vida, certamente já escutaram tais desculpas saindo de mim.

Para sair de casa, para recomeçar a academia, para comer a quantidade certa, para comer menos chocolate. Mas eu sou do tipo que se eu decidir valeu a pena esperar e vai durar uma eternidade.

Eu só não suporto você me ligar e dizer que “queria”, “gostaria” ou “saberia”. Chega de condições! Eu só quero ver você agir e me mostrar que eu posso confiar pra apertar esse “play” que está começando a enferrujar.

Amanhã eu não vou esperar você me ligar. Amanhã eu quero que você apareça. Mas, por favor, não diga nada. Apareça e me mostre porque eu devo deixar você ficar. Depois, talvez, a gente pode ter essa conversa.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Apenas porque você não permitiu.



Talvez eu nunca tenha pensado em escrever sobre você. Talvez o grande motivo seja porque você não aconteceu. Pensando bem quase aconteceu. Eu fico relembrando todas as vezes que nós podíamos ter acontecido em quase cem por cento, ou pelo menos naquela quantidade que eu acreditaria ser suficiente.

Mas realmente nunca ter escrito sobre você me causou um vazio nessa manhã, que mistura chuva e um sol bem amarelado de uma primavera inconstante. Uma inconstância que combina perfeitamente com os meus sentimentos por você quando lembro que o “nós” não aconteceu e, certamente, jamais vai acontecer.

Você partiu depois de não chamar mais por mim e ir em busca de quem nem tinha mais a ver com a sua essência. Mas para mim não bastava um pedacinho, eu queria a melhor parte e eu não tive como impedir. Você foi. Eu fiquei. Simples assim. E ninguém mais soube explicar o porquê apenas foi desaparecendo.

Eu chorei um dia inteiro. Sim, eu acordei e me banhei do meu próprio choro e só parei quando o dia realmente anoiteceu. As lágrimas não eram pela perda da melhor cama, das divertidas risadas e das comilanças descontroladas que você me impunha e eu aprendi a me deliciar. Era a perda de quem eu ainda nem ao menos tinha conquistado.

Você foi. Eu fiquei. E até hoje você não faz ideia do quanto doeu – acho que nunca vai ter essa noção. E nos encontramos só mais uma vez, e eu nem pude te abraçar. Eu nem pude olhar você direito. Eu tive medo dos seus olhos verem os meus. Eu tive orgulho em demonstrar que eu nunca fiquei bem quando você decidiu não voltar mais.

Eu escrevo hoje para que eu saiba que você realmente não aconteceu. E eu também não aconteci para você. Eu teria amado e teria ensinado a você com muita calma a sentir o mesmo, mas não calhou. Eu guardo ainda aquela “parte de mim” que presenciamos juntos e talvez seja essa a minha última lembrança de você.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sábado, 9 de março de 2013

Não Se Fazem Narizes Vermelhos Como Antes


E essa necessidade que as pessoas têm em chegar à conclusão de quem é o mocinho e quem é o vilão? Bom, pelo menos eu não fiquei com a última caracterização. Talvez até tenha ganhado uma caracterização de ausência de sanidade, visto que há sempre outra necessidade daqueles que estão em desvantagem procurar pela culpa alheia.

Mas basta. Agora, enfim, não há mais necessidade alguma em se fazerem culpados e o cerco se fechou pelo podre e nojento circulo da vaidade. Vaidade esta que é vista em textos despretensiosos, imagens que falam as verdades da falta de caráter e vozes que dizem mais do realmente vão alcançar.

Chega a ser engraçado pelo circo que foi armado. E não me vejo no centro de tal picadeiro, pois eu... Eu simplesmente assisti toda a essa encenação com receios, mas ainda assim tive coragem. E o palhaço tomou conta de um espaço que mal se fazia dele, pois nada era assim tão direcionado. O tal cara do nariz vermelho alimentava ali o seu ego através do humor de má qualidade.

Sinto que ao me levantar da arquibancada, toda a plateia se fez não acreditada por algo que não se esperava. Não vejo ali um “grand finale”, vejo papeis caindo de um alto que não tem relevância, e fez você perder o intenso significado da razão que nunca deixou participar de uma emoção necessária.

O espetáculo chegou ao fim. Não há cortinas a serem fechadas, pois tudo se escancarou frente a esses olhos que sempre viram minhas mãos aplaudindo seus feitos. Entenda: os seus bons feitos. Não deixo nada se comparar a tal inconsequência em deixar um fã ir embora. Cessaram as vendas de tickets, pois dessa vez o show não vai continuar.

Dizem que o sucesso de um número é feito pela soma de uma boa atuação e a verdade que se traz nos olhos. E acredito que dessa forma o fracasso da atração se faz compreensível. Encenação barata, fraca e sem emoção é o que se viu. Respeitável público, o melhor é ver que ali não se teve o que se procurava e admitir que a sorte não fora bem-vinda.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Primus

Talvez o meu amor não tenha sido à primeira vista.
Mas eu lembro que ele foi ao primeiro abraço.
Foi também um amor ao primeiro toque 
E foi ainda mais certo com o primeiro beijo.

Não tive mais dúvidas ao primeiro cheiro,
Nem tampouco com o primeiro riso e choro.
Lembro-me ainda que a primeira saudade provou.
E a prova era de que aquele era realmente o primeiro.



Finalizo.
Murilo de Carvalho


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Aquele Em Que Tudo Parece Novo


O dia em que tudo começa com a sensação de “o que faz sentido?”.
Não falo de virar páginas ou de novas páginas.
Falo de novos livros, com contos, crônicas e sábios pensamentos, que a cada releitura fazem do velho ter aparência nova.

Basta descobrir o que de velho em você ainda faz parecer novo. 
Surpreenda-se: esse, muitas vezes, é o melhor que você pode oferecer de você.
Como? Já pensou em provar novos sorrisos e, ainda assim, saborear velhas lágrimas?




Finalizo.
Murilo de Carvalho

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Construindo Títulos


Acabou inspiração? Onde enfiei todas essas palavras que saiam tão facilmente?
Enterrei? Joguei-as no lixo? Lancei no vento! Eu nem quero pensar onde foi tudo parar.
Palavras ao vento são como folhas secas, que se debandam sem força, sem vontade, sem direção e, o pior, sem volta.
É, acho que estou entendendo muito bem tal significado.
Conversar com as pessoas que sentem dor, de uma forma muito estranha, me inspira. Acho que olho sofrimentos hoje como apenas grandes degraus. Piso firme e sem medo de cair, porque sei que sempre vou rolar escada abaixo.
Poço seco? Não sei se deixei secar ou se o que eu realmente quis foi fazer tudo se tornar um grande motivo de celebração. Parece que não há mais espaço para lágrimas e mágoas. Um olhar que saiu das nuvens carregadas de escuro e se fez brilhar.
Cansei de viver as metáforas e selos que fingem dar um sentido desejado. Parei de me importar com aquele comentário maldoso sobre quem mal me conhece ou aquele olhar que me repreende.
Talvez seja por esse motivo que me sinto tão pronto para me aventurar. Mas o que preciso entender é que nem todos estão preparados para voos altos. E apesar da altitude, os pés sempre tocam o solo rochoso.
Viver sem segredos, vida transparente e sem receios.
Tudo cessou. A alma apenas quer sorrir.



Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Rabiscos do Tempo


Em prol dos velhos tempos, tudo tem se tornado apenas uma nova página. Mas nem falo de um novo livro, apenas de anotações. Essas são descritivas, minuciosas e preciosas em cada verso.
Medos e receios se foram juntamente com toda a preocupação e pressão de uma busca perfeita e incansável. Era um saco, perdoem-me pela expressão, mas só eu não percebia o quanto me aborrecia por esse estado volúvel.
E daí que o meu momento pode ser feito com leves sorrisos em um espelho quebrado? Qual a versão mais moderna que eu poderia sugerir a mim mesmo? Aliás, essa é a nova tendência.
Instabilidade, sinceramente nem ao menos me lembro de como era viver você. Gosto dessa rotina repleta de intensidade que me preenche e me ocupa. E tenho sobrevivido com um ar de ternura ao repousar.
Entretanto, a manhã chuvosa é algo que me desperta mais repleto de vontade, de ambição. Do que? Não tenho ideia alguma sobre, mas sei o quanto isso me faz bem. E mereço, depois de todo aquele percurso pelo deserto.
Sem flores, sem jardins, sem aqueles gramados e montanhas verdejantes, por enquanto. Deixe os caminhos se formarem, só quero trilhar e fazer parte daquilo que ainda nem sei o que é. Deixar florescer? Quem sabe?


Finalizo.
Murilo de Carvalho

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Quebre o Silêncio!

Nada mais angustiante que o sinal da sua impotência. Algo que poderia ter sido feito e não foi, e você nem mesmo sabe o por quê. Onde minhas mãos estavam quando eu quis segurar?

Sempre fui muito astuto, mas, mesmo assim, todas as cicatrizes e marcas foram causadas. Eu não soube correr, eu não soube gritar o suficiente. Eu só quis acreditar que aquilo não acontecia.

Hoje, quando relembro pelas marcas de outrem, todo um rancor é causado em mim. O erro não foi seu quando quis tocar-me daquela forma, o erro foi meu em aceitar que aquilo continuava.

Parece fácil tentar fugir, mas difícil também não era. Olha pra mim, olho para o espelho. Nunca quis minhas lágrimas lavando minha face pela vergonha que sentia de mim mesmo. E quem era você?

Acho que errei muito em aceitar o dia que resolvi conhecer quem você era, mas acertei ainda mais quando soube que o melhor era desistir de ver o monstro que existia em você e me permitir fugir das suas presas.

Aliás, que presas, não? Afiadas, brancas como um marfim e com uma ferocidade que nunca ninguém compreendeu. Mas ninguém viu suficientemente como eu e, mesmo assim, eu jamais vou decifrar.

Lanço-me no mar do esquecimento sobre todas as coisas que se diziam boas, mas eu nunca mais as encontrei, pois toda a escuridão da sua realidade me parece mais verdadeira que toda a encenação de boa e centrada pessoa.

Quem imaginaria que um dia me veria nessa raiva, nessa fúria? Eu me imaginei? Mas se eu puder, e vou, lutarei pelos meus e por aqueles que acolherei. Pois se depender da minha fúria, muita paz será gerada.

Mas apesar de tudo, e de todas as cascas de ovos em que, por uma vontade que desconheço, pisei, hoje tenho passos largos e firmes dos quais eu me orgulho. Movo-me com coragem e sem receio dos riscos.

Vivo da maneira que todos meus limites são superados, mas não por querer demonstrá-los a qualquer que seja o ser, mas para me certificar diariamente que eu posso e conquisto aquilo que preciso.

Viva! Aquele que foi marcado, hoje pode marcar história de coragem.
Viva! Esse não é o que vira a face, mas aquele que a ergue.
Viva! Não é uma comemoração, mas um brado de força, de sede por justiça.


Finalizo
Murilo de Carvalho


terça-feira, 10 de julho de 2012

Quem falou? E quem sentiu?

Há quem acredite que amar 
Seja algo que transborde.
Se amar é sentir-se completo
Para que exagerar?


Pode ser com calma,
Com cautela e zelo.
Não precisa de pressa,
Tampouco de ansiedade de alma.


Quem já amou sabe
Pode parecer incontrolável.
Aquele furação que lhe embale
Uma sensação que não se cabe.


Mas amores e amores, não?
Do seu, do dela, 
Ou ainda o dele,
Eles sempre vêm e vão.


Porque amar alguém
Nunca foi e nunca será uma escolha.
E por mais que seja complexo,
Só tem o direito de fazer muito bem.






Finalizo.
Murilo de Carvalho

domingo, 17 de junho de 2012

Cantigas Livres do Autor

Gosto de sintonia. 
Do cheiro que vem e encaixa.
Da chama que reluz 
E, também, aquece.

Eu tenho encontrado
Não aquilo que se procura,
Mas o que se realmente pode ver.
Que se pode tocar e afagar.

Cansei-me do abstrato,
Das possibilidades.
Hoje vivo intensamente pelo concreto,
Pela certeza.

Chega a ser engraçado,
E não só porque é divertido,
Todavia é algo que poderia já ter acontecido.
O que não era certa hora para.

Coloco o relógio para girar,
Calmo e em sincronismo.
Desde o começo não se torna um processo difícil,
Quando, enfim, os pés estão no chão.

Viva, vire e veja.
Até o Sol raiar ainda tem muita música.
Los faço em pedaços de papéis
E também em motivos de sorrisos.

Não mais em preto e branco.
Em cores vívidas e plenas.
Canetas nas mãos, nas duas, nas nossas.
Então, abre-se o livro.


Finalizo
Murilo de Carvalho

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Métrica Elaborada

Descobri um novo desejo.
Desejo estranho que almejo.
Algo que me traz vontades,
Mas nada que preencha em profundidades.

Fazer parte de algo que não se conhece
É muito mais irreal que algo que não perece.
Talvez um surto de sucesso
Traria a mim um novo acesso.

Qual o real sentido de um bom lugar para morar
Se você não sabe se esconder é o que vai precisar?
Fugir nunca é o caminho, 
Entretanto, busco aos poucos rotas nesse pergaminho.

Que tudo é feito de escolha e consequência
Todo mundo sabe e nunca esquece essa sequência.
Todavia triste se faz onde habito
Sujo, podre, tudo aquilo que de mim debito.

Nenhum mortal aqui se vê satisfeito
E para alguns isso traz uma imensa dor no peito.
Embora insistam em lutar com esnobismo
Acabam suas noites em pleno abismo.


Hoje faço da minha poesia um grito de esperança,
Apesar de não ver felicidade em qualquer semelhança.
Busco um sorriso como diferencial,
Pois para mim isso sempre se mostrou essencial.



Mal se faz em qualquer efeito,
Corro léguas, mas aqui não encontro ar rarefeito.
Por sentir meus pés em fétida lama,
Retiro meu ser para voltar a andar em grama.







Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Higienização Final

Alguém me ajuda? Preciso me limpar com urgência.
Eu estou procurando uma fórmula bem ácida que faça com que minha pele caia por inteira.

É asqueroso pensar que você já me tocou um dia. Parece que minha vida cheira a lixo.
Se eu deitar no chão, tenho total certeza que diversos ratos vão se atrair, além de baratas e insetos, porque teu cheiro ainda está aqui.

Vontade de rasgar a pele e trocar por uma nova, sem lembrar que aqui foi tudo seu um um dia.
Realmente, um dia foi seu. E nada mais sobrou aqui para ser seu. Nada.
A pele que você nunca cansou de agredir. Nem sei mais quantos socos, tapas, arranhões, beliscões, mordidas... Até cuspes e bebidas você lançou contra ela.
Quem diria, não? Um dia você disse que essa mesma pele levava você a uma loucura incrível. Certamente, levava a loucura, porque você se tornou uma vergonha pública.
Mas sabe que eu estou agradecendo você. E muito. Você limpou todo o sentimento bom que tinha aqui dentro de mim. E os céus vibram por eu não sentir mais qualquer atração física por você.
Gosto de olhar para as fotos e sentir que você nem parece ter existido na minha história.
Boas lembranças... Eu nunca vou encontrá-las. De você apenas uma recordação: dor.
O cheiro da liberdade está construindo essa minha nova casca. Mais bonita, mais valiosa.
Aliás, não tem como você ter conhecimento sobre beleza e valores, você nunca viveu ou vai viver quaisquer desses conceitos.


Finalizo.
Murilo de Carvalho

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Apenas Um Pouco Mais


Talvez o motivo maior de um sorriso
Possa ser a concretização de um sonho.
Sonho daqueles que não se sonha e acorda e passa.
É daqueles que são pra viver acordado.


Eu descobri um sorriso doce e tímido
E há algum tempo ele tem me feito sonhar.
Passo dia, horas e momentos bons pensando
E só consigo querer mais.


Não dá pra imaginar como seria sonhar sem teu sorriso.
Sim, aquele de lado, aquele contido. 
Eu queria sonhar mais, 
No entanto, sei que o tempo mostra o momento certo.


Tenho deixado a ansiedade de lado.
Tudo para que o meu sonho não se estrague.
Tudo para preservar o seu sorriso.
Bem assim, desse jeitinho.


Qual seria a razão maior
Se eu não pudesse abrir minhas asas,
Divertir-me nos teus lábios alegres
E, enfim, deixar minha imaginar voar?


Inesquecível foi o teu sorriso
Naquela noite em que meu coração, então, pensou:
Será que é a minha vez?
Chegou a hora de eu me entregar?


E foi.
Totalmente imprevisível.
Cada um descobrindo o outro.
Aos poucos e em doses exatas.


Se hoje eu pudesse fazer um só pedido,
E seria feita da seguinte forma:
Sorria para mim,
Pois esse amor nasceu assim.


Finalizo.
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Preparando Meu Acorde


Nem sempre é necessário fechar os olhos, as memórias acontecem por um simples piscar.
Algumas estranhas artimanhas infelizmente sempre ajudam a manter uma ferida aberta. E a busca dessa cura parece sempre infinita.
Hoje ao acordar, olhei o parque e via tudo em neblina. Ao fundo, bem escondido entre as árvores, havia um garoto sentado na grama e sozinho tocava uma flauta.
Um som tranquilo trazia notas doces, mas seu semblante não tinha qualquer expressão de alegria. Reconheci, então, a música que saia daquele instrumento e lembrei-me da letra triste e dolorosa.
 Às vezes as músicas podem significar magia, harmonia para aqueles que as ouvem, mas o que ninguém vê é como ela foi composta. Como o autor se sentia naquela noite, dia, ou tarde calorosa? De onde vieram aquelas palavras? O coração estava esperançoso ou aflito?
Os sorrisos nem sempre se expressam por clareza, mas também por necessidade. Uma combinação sorriso e olhar é difícil de ser interpretada hoje em dia, e essa realmente revela entusiasmo.
Olhei-me no espelho, após aquele momento de reflexão, e só o que me vinha na cabeça era o som daquela música emitida por tal instrumento.
Será que meu sorriso tem sido por necessidade? Será que minha alegria tem sido algo para agradar os demais?
Quantas vezes eu não sei o motivo do sorriso ou de uma lágrima.
Que nada é como planejado, todos nós estamos cansados de saber. Entretanto, penso que nosso telhado é sempre de vidro: frágil e transparente; fácil de ver e de ser atingido. 
A vontade agora é de compor. Descobrir como o coração anda e ver quais notas podem ser tocadas. Quero saber o nível de entusiasmo do meu som e, então, tocar qualquer instrumento para que essa melodia possa, então, ser ecoada.
Não obstante infelizmente, vocês nunca vão saber o teor da minha música.




Finalizo
Murilo de Carvalho

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Grande Laço


Era julho, bem na sua metade, e eu estava ali, como quem realmente não quer nada.
Já conhecia você de ouvir falar, mas nem ao menos um oi havia acontecido.
Você também sabia de mim, mas isso nunca foi o bastante.
Estávamos tão perto; apesar disso também não ter ajudado em nada.
E, então, você foi para longe.


E certa vez eu fui para o seu novo lugar e você me viu caminhando por um shopping.
Você me pediu meu telefone alguns dias depois e a conversa foi infinita.
Que prazeroso era ouvir você contando sua vida e poder contar da minha.
Coisas em comum, coisas engraçadas, coisas.
Lembro que só desligamos o celular, porque já eram 3 horas da manhã. Uow!


Os dias foram se passando e a gente foi se aproximando mais.
Dezenas de ligações e centenas de mensagens.
A gente não parava de pensar um no outro.
Tudo era compartilhado e a gente nunca tinha se falado pessoalmente.
Viramos o diário um do outro.



Dava vontade de estar perto. 
Dava vontade de sentir o cheiro. 
Dava vontade de simplesmente olhar.
Dava muita vontade.
E aí você me surpreendeu.


Exatamente no 15 daquele mês, em uma quinta-feira, você foi me ver.
Como foi bom olhar nos seus olhos e sentir o que eu tava sentindo: curiosidade.
Lembro da sua e da minha roupa naquela noite. 
Nossos braços não queriam soltar o corpo do outro.
Nosso beijo foi um encaixe perfeito.
A gente se cheirava, a gente se tocava. A gente estava tendo, enfim, o nosso encontro.


Ah, noite de lindas memórias...
Memórias que jamais serão apagadas. 

É óbvio esse meu pensamento. Simplesmente óbvio.
Como esquecer o dia em que eu conheci o meu eterno e grande amor?







Finalizo
Murilo de Carvalho

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Por Um Novo Tempo


Ontem a chuva lavou meu entendimento.
Incerto parecia o meu olhar,
Mas a gana por mudanças se instaurou.
Hoje o dia começa com nova força.


Talvez um vento frio me fizesse entender,
Mas só essa límpida água pôde me certificar.
O coração não é um vaso, 
Entretanto adubo é essencial.


Sinto-me como se tivesse sido medicado.
Uma nova injeção, uma nova fórmula.
Inexplicável, mas sinto correndo pelas veias.
Tudo em prol de um novo eu.


Meus sonhos agora se aliam a desejos.
Carnais ou emocionais, aprovo essa mágina mistura.
Encaro meu espelho e a pergunta é única:
Como fazer acontecer?


Então, dou ouvidos para essa voz que vem de dentro
E a resposta se faz clara:
Não sei quando, não sei como.
Todavia, esse dia há de chegar.


Finalizo
Murilo de Carvalho